sexta-feira, 5 de julho de 2013

A importância da Família para o Tratamento da Esquizofrenia



 Débora Alves da Silva


Resumo
Este artigo apresenta a importância do apoio da família no tratamento da esquizofrenia, a sua vivência no contexto familiar logo quando surge a doença, o comportamento e os relacionamentos familiares ficam abalados, mas o sujeito pode ter uma boa qualidade de vida, reagir bem ao tratamento medicamentoso e psicoterápico e voltar a se socializar através dos CAPS que exercem um papel muito importante na vida do sujeito que possuí algum problema psíquico.
Palavra Chave: família, esquizofrenia, CAPS.

Introdução
O presente artigo relata a importância da família para se obter bons resultados no tratamento da esquizofrenia. Trabalhar com este tema é procurar entender a vida cotidiana dessas pessoas, a sua reação frente ao diagnostico e a reação do indivíduo diante das relações familiares. Através de pesquisas bibliográficas constamos que o paciente esquizofrênico pode ter uma boa qualidade de vida, com o apoio dos familiares, pois a presença da família é fundamental e assim reagir bem ao tratamento medicamentoso e psicoterapêutico o auxilio das psicoterapias é muito relevante porque o paciente não deve apenas viver a base de medicamentos, mas as psicoterapias ajudam o indivíduo a voltar a se socializar e ter uma vida normal.
Apresentar que o esquizofrênico não é um louco e nem deve ser excluído da sociedade. A convivência familiar com portadores de doenças mentais graves é bastante conflituosa, a dificuldade de relacionamento, a convivência com a doença acaba abalando toda a estrutura familiar e não tendo um tratamento de qualidade esse indivíduo nunca voltará a se vincular a sua família e junto a ele todos os membros dessa família permanecerão doentes. 
Desenvolvimento
A esquizofrenia, é considerado um tipo de sofrimento psíquico grave onde o indivíduo deixa descuidar-se, não tem mais interesse por si mesmo, forge da sua realidade, altera a sua personalidade, torna-se agressivo, tem alucinações sente-se perseguido esses são apenas alguns dos sintomas desse transtorno, então não é nada fácil ver o seu ente querido falando sozinho, andando pelas ruas sem destino, sem higiene, e pior se sentindo alvo de perseguição dentro da própria casa. Sem falar do preconceito da sociedade que por ver alguém assim, acabam estereotipando e discriminando o indivíduo, até os mais próximos a ele. 
Segundo Souza e Coutinho (2006) a manifestação dos sintomas varia com as características do paciente e com o tempo, mas o efeito cumulativo da doença tende a ser grave e constante, constituindo-se no perfil de doença crônica. Nesse momento a família acaba adoecendo também e o indivíduo precisa de total apoio dos familiares para controlar o transtorno, já que não tem cura, então todos tem que agir de forma imediata. Há muitos casos onde os familiares não aceitam o problema do ente querido, ou acaba desistindo de lutar por falta de paciência ou vergonha.
União da família é de fundamental importância para um tratamento bem sucedido, pois se o paciente conviver num meio hostil, estressante e conturbado só faz com que aumente a crise da doença. Por isso, deve haver o comprometimento de toda família, a conscientização de todos para diminuir as recaídas isso é muito importante para o indivíduo conviver em um ambiente saudável, perceba que todos estão ao seu lado e o respeitam, com qualidades e diferenças como qualquer outro.

O familiar, ainda, apresenta-se aos serviços simplesmente como “informantes” das alterações apresentadas pelo doente mental, e deve, por conseguinte, seguir passivamente as prescrições dadas pelo tratamento oferecido. Portanto, acolher suas demandas, considerando as vivências inerentes a esse convívio, promovendo o suporte possível para as solicitações manifestas pelo grupo familiar continua a ser o maior projeto de superação (COLVERO; IDE; ROLIM, 2004).

Muitos familiares acham que a internação é a solução, mas nem sempre depende do estado do transtorno mental e do paciente, tem casos que o isolamento só piora o estado do indivíduo e acaba o levando  a uma depressão.             
Depois da Reforma Psiquiátrica foram criados os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), é uma instituição, onde ajuda pessoas com problemas mentais a voltarem à sociedade, apoia a sua autonomia através da realização de oficinas de artesanatos e outros tipos de projetos terapêuticos, fazendo com que diminuam as preocupações dos familiares, pois tiram alguns indivíduos que passam maior parte do tempo nas ruas e acaba reduzindo a dependência de medicamentos, onde é oferecido acompanhamento médico e psicológico.

Desenvolvendo projetos terapêuticos e comunitários, dispensando medicamentos, encaminhando e acompanhando usuários que moram em residências terapêuticas, assessorando e sendo retaguarda para o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde e Equipes de Saúde da Família no cuidado domiciliar (Coordenação-Geral de Saúde Mental, 2004).

Conforme Ramminger e Brito (2011), o CAPS é um serviço aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde, acolhe as pessoas que sofrem com transtornos mentais agressivos e persistentes, num determinado território, oferecendo cuidados clínicos e de reabilitação psicossocial contando com uma equipe multidisciplinar e utilizando a interdisciplinaridade, evitando as internações e favorecendo o exercício da cidadania e da inclusão social dos usuários, devolvendo a dignidade, a liberdade e a autonomia a esses indivíduos e assim mantendo a família tranquila e menos preocupada.

A lei No 10.216, de 6 de abril de 2001, artigo 1º diz  que, são assegurados todos os indivíduos sem qualquer forma de discriminação quanto à raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção política, nacionalidade, idade, família, recursos econômicos e ao grau de gravidade ou tempo de evolução de seu transtorno, ou qualquer outra.(Ministério da Casa Civil,2001).

Há casos de familiares que desprezam os sintomas apresentados pela esquizofrenia em algum parente e apenas o isolam ou simplesmente dizem que ele o mesmo esta passando por alguns problemas e acabam não dando a atenção necessária para o surgimento da doença, que é extremamente importante, o quanto antes iniciar o tratamento mais positivo será e o sujeito poderá voltar as suas atividades normais sem tantos danos.
Muitos ainda hoje têm preconceito e não aceitam encaminhar o parente com o transtorno mental para psicólogo e muito menos para um psiquiatra, muitas vezes o próprio individuo não aceita esse acompanhamento por um profissional da área de saúde mental logo de inicio, eles dizem que não estão loucos.
Seguindo Colvero, Ide & Rolim (2004), diante de quadros graves intensos como o da esquizofrenia encontramos familiares abatidos e pessimistas quanto a recuperação do seu ente querido, como transtorno mental, para muitos são tantos as recaídas, as desistências do tratamento, que é comum encontrarmos familiares desmotivados, sem esperanças, resistentes e temerosos diante de qualquer proposta de mudança vinda dos trabalhadores e dos serviços de saúde mental.
A esquizofrenia é uma doença de evolução crônica, compromete toda a vida do indivíduo, torna o frágil e muitos acabam se suicidando diante de situações estressantes. O apoio da família é indispensável para conscientizar o sujeito sobre a necessidade do tratamento, pois quando esse individuo, percebe que precisa de ajuda clinica, de se cuidar, tomar as medicações, ir sempre as consultas adotando um novo método de vida assumindo suas responsabilidades, aceitando ser ajudado, às chances de se reabilitar aumentam e as probabilidades de voltar a ter uma vida normal e no convívio social, pois isso é muito importante para a auto estima do paciente.

Tornar-se possível, ajudar o paciente a recuperar suas habilidades voltando as suas atividades normais iniciando pelo cuidado pessoal como: higiene, banho, dormir bem, alimentação saudável, o lazer fazendo com que o paciente saía do isolamento e até volte a suas funções de trabalho (SHIRAKAWA, 2000).

Como já havíamos falado antes sobre a importância da família para o tratamento do indivíduo com esquizofrenia. Conforme Santin e Klafke (2011), a importância do papel da família deu inicio nos anos de 1940 a 1950, pelo motivo de estudar a frequência de traços patológicos nos pais de pacientes mentais, passaram a ganhar visibilidade através das terapias familiares de forma sistêmica dividiam suas duvidas, suas preocupações e ali eram informados sobre o transtorno mental e orientados sobre como procederem junto ao individuo.

As intervenções psicossociais com familiares de pacientes esquizofrênicos foram desenvolvidas através de estudos que comprovam que quando tem um membro da família com esta doença esta relacionada a conflitos e sobrecargas na vida familiar e dos membros em diversos aspectos como os relacionamentos, lazer, saúde física e mental (SCAZUFCA, 2000).

Sabe-se que não existe cura para a esquizofrenia e muito menos cura, mas com um acompanhamento multidisciplinar com profissionais como enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, terapeutas de forma adequada para ao quadro do individuo e o apoio familiar, ajudará o sujeito no controle da doença, e a conviver bem com a esquizofrenia. 
Seguindo Almasan e Gimenez (2006), os métodos para o tratamento da esquizofrenia envolvem:
Ø  A Farmacoterapia: quando a medicação psicotrópica é eficaz no equilíbrio de sintomas positivos, entretanto os sintomas negativos e relacionamentos interpessoais perturbados são poucos afetados pela medicação, sendo necessária a aplicação de abordagens psicossociais.
Ø  Psicoterapia Individual: Existe uma rica tradição clínica em psicoterapia individual psicanalítica com pacientes esquizofrênicos, são eficazes e recebem um grande retorno, mas os pacientes esquizofrênicos são muito difíceis de serem engajados num processo psicoterapêutico.
Ø  Psicoterapia de Grupo pode ser útil para criar confiança e oferecer um grupo de apoio, no qual os pacientes possam conversar e trocar ideias livremente sobre as preocupações acerca de como lidar com as alucinações auditivas e como lidar com o estigma da doença mental.
Ø  Tratamento Hospitalar: Para o paciente esquizofrênico que tem uma crise psicótica aguda, a hospitalização breve oferece “um intervalo” uma oportunidade de voltar a conviver em grupo de se socializar novamente, orientar–se para o futuro e a medicação antipsicótica alivia a maior parte dos sintomas positivos. A estrutura da unidade hospitalar oferece um abrigo seguro para evitar que os pacientes causem danos a si mesmos ou aos outros.
Ø  Intervenção Familiar é a considerada melhor junto a farmacológica, pois o individuo tomando a medicação antipsicótica e junto ao convívio familiar  geram melhores resultados do que a medicação de forma isolada contra recaídas.
Conclusão
Como podemos perceber a convivência e o apoio familiar é o mais importante para obter bons resultados no tratamento do individuo, as intervenções familiares e profissionais, discutindo e compartilhando informações sobre a doença. Todos estes tratamentos devem ser planejados em conjunto e assim selecionar o melhor para o paciente e que se enquadre com esse individuo.


REFERÊNCIAS BIBIOGRAFICAS

ALMASAN, Daisy Ariane; GIMENEZ, Rosane Montefusco. Formas de Tratamento do Paciente Esquizofrênico. Revista Científica Eletrônica de Psicologia, São Paulo, n.7, nov. 2006. Disponível em <http://www.revista.inf.br/psicologia07/pages/artigos/edic07-anoiv-art06.pdf> Acesso em: 25 de março de 2013.
BRASIL. Direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, Brasília, 2001.
COLVERO, Luciana de Almeida; IDE, Cilene Aparecida Costardi; ROLIM, Marli Alves. Família e Doença Mental: a Difícil Convivência com a Diferença, Revista Escola de Enfermagem USP, São Paulo, v. 38, n. 2, abr. 2002. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v38n2/11.pdf. Acesso em: 14 de abril de 2013.    
MINISTÉRIO DA SAÚDE, Saúde Mental no SUS: Os Centros de Atenção Psicossocial, Brasília, 2004.
RAMMINGER, Tatiana; BRITO, Jussara Cruz. “Cada CAPS é um CAPS”. Uma Coanálise dos Recursos, Meios e Normas Presentes nas Atividades dos Trabalhadores de Saúde Mental. Psicologia e Sociedade, Florianópolis, v. 23, n. especial, 2011. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&pid=S0102-71822011000400018&lng=en&nrm=iso&tlng=pt> Acesso em: 30 de março de 2013.
SANTIN, Gisele; KLAFKE, Teresinha Eduardes. A família e o cuidado em saúde mental. Barbarói, Santa Cruz do Sul - RS, n. 34, jan/jul. 2011. Disponivel em <http://online.unisc.br/seer/index.php/barbaroi/article/viewFile/1643/1567> Acesso em: 14 de abril de 2013.

SCAZUFCA, Márcia. Abordagem Familiar em esquizofrenia. Revista Brasileira de Psiquiatria. São Paulo v. 22, supl. I, mai. 2000. Disponível em:<  http://www.scielo.br/pdf/rbp/v22s1/a17v22s1.pdf> Acesso em: 30 de mar. 2013.
SHIRAKAWA, Itiro. Aspectos gerais do manejo do tratamento de pacientes com esquizofrenia. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 22, supl. I mai. 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbp/v22s1/a19v22s1.pdf> Acesso em: 30 de mar. 2013.
SOUZA, Leonardo Araújo; COUTINHO, Evandro Silva Freire. Fatores Associados à Qualidade de Vida de Pacientes com Esquizofrenia. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 28 n. 1, Mar. 2006. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/rbp/v28n1/a11v28n1.pdf> Acesso em: 30 de mar. 2013.


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